As finanças portuguesas em 2025 apresentam um cenário de relativa estabilidade, embora marcado por importantes desafios económicos e sociais. A recuperação após anos de forte pressão inflacionista está a permitir algum alívio para famílias e empresas, mas persistem preocupações ligadas ao crédito à habitação, ao nível da dívida pública e à sustentabilidade das contas do Estado.
O crescimento económico mantém-se positivo, mas moderado, sustentado sobretudo pelo turismo e pelas exportações de serviços. Apesar disso, setores como a indústria e a construção enfrentam dificuldades devido aos elevados custos de produção e à concorrência internacional. A desaceleração do consumo interno também reflete o peso das prestações bancárias nas famílias.
A dívida pública continua elevada, rondando os 95% do PIB, embora a trajetória seja de descida gradual. O Governo mantém a aposta numa gestão orçamental prudente, procurando reduzir o défice sem comprometer os investimentos estruturais financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
No mercado da habitação, a descida lenta das taxas Euribor trouxe algum alívio para quem tem crédito, mas as prestações continuam acima dos valores registados há três anos. Os preços das casas mantêm-se altos, sobretudo em Lisboa, Porto e no Algarve, onde a procura estrangeira continua a pressionar o mercado.
As famílias portuguesas enfrentam ainda elevados níveis de endividamento. O aumento do salário mínimo para cerca de 910 euros em 2025 ajudou a compensar a perda de poder de compra, mas não foi suficiente para recuperar totalmente a capacidade de poupança. Já no campo fiscal, a atualização dos escalões de IRS trouxe algum alívio à classe média.
No setor empresarial, as pequenas e médias empresas continuam a ser as mais afetadas pelo aumento de custos, embora encontrem apoio em linhas de financiamento e incentivos europeus. A aposta em energias renováveis, digitalização e inovação está a ser vista como essencial para garantir maior competitividade no futuro.
Em termos europeus, Portugal continua dependente das orientações do Banco Central Europeu, sobretudo no que diz respeito à política monetária e às taxas de juro. O equilíbrio entre disciplina orçamental e investimento estratégico será determinante para manter a confiança dos mercados e assegurar um crescimento sustentável nos próximos anos.
