Remessas de Emigrantes Portugueses Atingem Recorde de 4,3 Mil Milhões de Euros em 2024
As remessas dos emigrantes portugueses registaram em 2024 o valor mais elevado de sempre: 4.301 milhões de euros, segundo dados oficiais. Este montante representa um crescimento de 4,4% face ao ano anterior, consolidando a tendência de valorização do contributo da diáspora para a economia nacional.
A Suíça e a França continuam a liderar a origem destas transferências, com 1.135 milhões de euros e 1.109 milhões de euros, respetivamente. Juntas, representam mais de 52% do total enviado para Portugal, reflexo das comunidades portuguesas fortemente enraizadas nestes países e do elevado nível de rendimento médio dos emigrantes aí instalados.
Em termos macroeconómicos, as remessas representaram cerca de 1,7% do PIB português em 2024, reforçando a sua importância como uma fonte estável de entrada de divisas e de apoio direto ao consumo interno — especialmente nas regiões com maior tradição de emigração, como o Norte e Centro do país.
Além do impacto no rendimento disponível de milhares de famílias, este tipo de transferências contribui positivamente para a balança de transferências correntes e ajuda a mitigar os efeitos negativos do défice estrutural da balança comercial portuguesa. São também um fator de resiliência num contexto de aumento das taxas de juro e perda de poder de compra.
Do lado oposto, os trabalhadores estrangeiros a residir em Portugal também aumentaram o volume de envios para os seus países de origem, com remessas a ascenderem a 845,7 milhões de euros, um crescimento de 5,7% em relação a 2023. O Brasil destacou-se como principal destino, com 413,8 milhões de euros, refletindo a forte presença da comunidade brasileira no território nacional.
Este equilíbrio entre entrada e saída de capitais no âmbito das remessas revela a crescente diversificação da população ativa em Portugal, mas também reforça a necessidade de políticas públicas que incentivem a captação de investimento da diáspora, tanto financeira como em capital humano.
As remessas são, cada vez mais, não apenas um indicador sentimental da ligação dos emigrantes ao seu país de origem, mas uma variável económica relevante que merece atenção estratégica por parte dos decisores públicos e dos analistas financeiros.
