O setor empresarial português volta a ser abalado com a notícia da falência de uma empresa de grande dimensão, que até há pouco tempo era considerada sólida no mercado. A decisão foi confirmada em tribunal de comércio, depois de vários meses de dificuldades financeiras e da incapacidade de cumprir compromissos com fornecedores e trabalhadores.
Segundo fontes próximas do processo, a empresa acumulava dívidas superiores a 40 milhões de euros, resultado de más decisões de gestão e de um abrandamento acentuado na procura pelos seus serviços. Apesar das tentativas de recuperação através de planos de reestruturação, a falta de liquidez acabou por tornar inevitável a declaração de insolvência.
Os efeitos já se fazem sentir entre os mais de 600 trabalhadores, muitos dos quais se encontram agora em situação de incerteza, aguardando esclarecimentos sobre indemnizações e apoios sociais. Sindicatos ligados ao setor pedem uma intervenção rápida do Governo, de forma a garantir que os salários em atraso sejam pagos e que seja criada uma solução de reemprego.
Para além dos colaboradores, a falência também afeta centenas de fornecedores e pequenas empresas subcontratadas, que dependiam dos contratos estabelecidos. Especialistas alertam que o impacto poderá ser em cadeia, atingindo diferentes regiões do país.
O administrador de insolvência nomeado pelo tribunal já iniciou contactos com potenciais investidores para tentar vender parte dos ativos e recuperar algum valor para credores. No entanto, o cenário é descrito como complexo e de difícil resolução, uma vez que a maioria dos bens da empresa está hipotecada.
Analistas sublinham que este caso serve como um alerta para a importância da gestão financeira sustentável. A crise deixou evidente que muitas empresas portuguesas continuam excessivamente dependentes do crédito bancário, sem reservas para suportar períodos de instabilidade.
Para os trabalhadores e comunidades afetadas, resta agora a esperança de que o processo judicial decorra com rapidez, atenuando os danos de mais uma falência que marca o panorama económico português em 2025.
A Schmidt Light Metal, empresa sediada em Oliveira de Azeméis e dedicada à produção de peças em alumínio para a indústria automóvel, entrou oficialmente em processo de insolvência, após decisão do Tribunal de Aveiro. O caso é especialmente relevante por colocar em causa a estabilidade de cerca de 500 trabalhadores, muitos deles com décadas de ligação à fábrica.
A empresa, fundada em 1989, tornou-se uma fornecedora de referência no setor da fundição injetada, tendo como principal cliente o grupo Volkswagen. No entanto, a forte dependência de apenas um comprador, somada a problemas de tesouraria e acumulação de dívida bancária, acabou por arrastar a organização para uma situação financeira insustentável.
Segundo informações judiciais, a Schmidt Light Metal carrega passivos superiores a 40 milhões de euros, que envolvem créditos bancários, dívidas fiscais e compromissos junto de fornecedores. Entre os credores encontram-se instituições como o Novo Banco, o BPI, o IAPMEI e entidades de recuperação de dívida como a Servdebt.
Apesar de a empresa se manter operacional até aos últimos meses, com registo de encomendas e até recurso a horas extraordinárias, o dinheiro proveniente da faturação era imediatamente absorvido para pagamento de dívidas acumuladas, deixando a tesouraria sem capacidade para garantir salários e matérias-primas.
O tribunal nomeou um administrador de insolvência, que terá como missão avaliar soluções de viabilidade, incluindo a eventual venda da unidade industrial ou a procura de investidores interessados em manter parte da produção. Os credores dispõem agora de 30 dias para reclamar os seus créditos, num processo que deverá prolongar-se nos próximos meses.
O caso gera forte preocupação em Oliveira de Azeméis e no distrito de Aveiro, já que a Schmidt Light Metal representa um dos principais empregadores da região. Associações sindicais pedem uma intervenção rápida do Governo, de forma a assegurar os salários em atraso e garantir alternativas para os trabalhadores, caso não seja encontrada solução de continuidade para a empresa.
A falência da Schmidt Light Metal torna-se assim um dos episódios mais marcantes do setor industrial português em 2025, revelando a fragilidade de muitas empresas fortemente dependentes de um único cliente e sem reservas financeiras para enfrentar períodos de instabilidade.
